Eu te amo, mas eu escolhi Ego - parte 2


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Negação

“Não, o “Elo” não está morto, não pode estar.” – disse Ego olhando atônito para o que poderia ser o cadáver daquele.
Tu permanecia inerte, envolto em seus próprios pensamentos e preocupações, mas cada vez que dirigia a palavra a Ego, esse tinha certeza que se tratava de um sinal de vida do “Elo”.
“Isso não pode estar acontecendo” – pensou Ego quando o silêncio fúnebre voltou a reinar. Interrompendo a calmaria surda, o som da ambulância, que chegou para socorrer tardiamente o “Elo”, ficou gravado na memória daquele.
“Como você se sente?” – perguntou alguém, depois de alguns dias.
“Eu estou bem. Não sinto nada.” – a resposta dada a essa pessoa era a mesma que Ego repetia para si mesmo, como um mantra, para tentar se convencer de que estava bem, ou que não sentia nada.
Continuou levando sua vida normalmente, trabalhando, lendo, fazendo todas as suas obrigações, como se nada tivesse acontecido. Decidiu fechar seus olhos a qualquer evidência da ausência do “Elo”.
“Só pode ser um pesadelo.”


Raiva


“Não é justo! Por que isso está acontecendo comigo?!” – não podendo mais negar o fim do “Elo”, sentimentos de frustração tomaram conta dos pensamentos de Ego.
“Eu fiz tudo o que eu pude, fiz o máximo que dei conta.” – não eram palavras de um vencedor, ou de alguém orgulhoso, mas eram palavras carregadas, que serviam de prelúdio para as próximas.
“A culpa é de Tu. Ele não fez absolutamente nada pelo “Elo”. Sim, a culpa é dele!” – e não demorou muito até que em uma explosão raivosa Ego manifestasse sua opinião, acrescentando também “Por que só eu me importo?” e todos os sentimentos suprimidos nos dias anteriores agora saíam como uma enxurrada.


Barganha


Já não sentia mais a raiva, essa deu lugar a uma espécie de esperança desesperada. “Se eu fizer isso, o “Elo” vai voltar”, “Talvez com aquilo eu consiga um “Elo” novo” dominaram seus pensamentos, cegos pensamentos que não viam que Ego não tinha nada mais a oferecer, que o que poderia ter sido feito, já deveria ter sido feito.
Novamente procurou Tu, “foi o nosso “Elo” que morreu, talvez nós juntos consigamos trazê-lo de volta”, e deu-se início a uma humilhante campanha em favor do “Elo” morto.


Depressão


O desespero dos dias da cólera e da barganha dão lugar ao desânimo. “Só podemos ter certeza de uma coisa: do fim” – Ego pensa durante longos momentos de reflexão
“Vamos todos morrer” é tudo o que vê, apenas finais horríveis, sem nenhuma esperança. Ignora o que os amigos dizem sobre como tudo vai ficar bem, ou “você vai sair dessa”. Sua produção está dramaticamente reduzida e “some” por várias vezes durante o dia. Sente-se vazio.
Apatia, tristeza e desinteresse alternam entre si enquanto Ego desiste mentalmente de seus planos, de seus relacionamentos e da vida, porque “tudo vai acabar mesmo”.
Rejeita silenciosamente a companhia de todos, mas pouco a pouco seus amigos e familiares começam a o ajudar a enxergar a vida de outra perspectiva e a procurar em outros lugares o que o “Elo” representava.


Aceitação


“Vai ficar tudo bem” – uma esperança calma surge em seu coração.
Não esqueceu o “Elo”, nem o seu fim, mas está começando a levar a sua vida sem ele. “Essas coisas acontecem mesmo”. "Será frio, será ausência" foi suavemente dando lugar a "será paz, será paciência."
Começa a colocar tudo em ordem, sua vida, seus pensamentos, mas sabe e aceita bem o fato de que as marcas deixadas pelo “Elo” são eternas e que nunca mais será o mesmo, mas “vai dar tudo certo”.
Entendeu que o “Elo” é passageiro, é efêmero, e que apesar de forte, é frágil, e vai levar esse conhecimento para junto de si, enquanto cuida dos seus tantos outros “Elos”.
Ego encontrou Tu outro dia desses, e cada um sorriu: um por educação, em nome dos velhos tempos, o outro sorriu com a serenidade da resignação. Então cada um seguiu o seu caminho.












































*Lembrando que acabei de escrever isso às 02:12 da manhã, e não revisei, então que se lasquem os erros*

4 Response to "Eu te amo, mas eu escolhi Ego - parte 2"

  1. Esthefânia says:

    Dada a qualidade dos outros textos acredito que este tenha ficado um pouco aquém das expectativas...bem escrito, sim...mas...achei meio imaturo, perto dos outros. Mas é de se esperar que a arte reflita a vida, não é? E eu posso simpatizar com o que foi expresso nesta crônica ^^
    =***

    Achei seu blog mto legal, bem criativo.
    Parabéns vc escreve mto bem!!!
    BjoO

    Acho que a "aceitação" é a parte mais difícil, porém, a mais sensata. Gostei do texto, Thi.

    ;*

    Leandro says:

    Sei o que é bem de perto a "negação,raiva,depressão" e por último a "depressão". Infelismente é sim muito difícil aceitar, mas por mais difícil que seja aceitar isto, acabamos aceitando. É como um amigo me disse certa vez: "Daqui 1 ano você vai estar sorrindo, e lembrando de tudo isso que aconteceu!"